Redes de supermercado testam alternativas para sacolas plásticas

Está próximo o fim das sacolas plásticas tradicionais. Grandes redes de supermercado do País já anunciaram metas para acabar ou reduzir em grande parte o seu uso. No Carrefour, a meta para acabar com a distribuição é até 2014, o Walmart diminuirá o consumo em 50% até 2013 e para o Grupo Pão de Açúcar, que ainda não confirmou a meta, a expectativa é de que em 2013 o uso seja finalizado.

Com esses cronogramas, as redes buscam alternativas para diminuir o impacto entre o consumidor, como distribuir caixas de papelão e sacolas plásticas biodegradáveis a um baixo custo. Mas a principal medida incentivada é o uso das ecobags, também chamadas de sacolas ecológicas, que são retornáveis e suportam mais peso do que as tradicionais.

A quantidade de sacolas ecológicas vendidas nas grandes redes de supermercado impressiona. Desde o início de sua comercialização, em 2009, no Grupo Pão de Açúcar, mais de 2,2 milhões foram vendidas. O bom resultado também ficou expresso na economia de mais de 96 milhões de sacolas plásticas ano passado, resultado de uma junção de alternativas adotadas pelo grupo.

O aumento das vendas de ecobags também é percebido nas lojas Carrefour. Somente em 2010 já foram vendidas mais de 500 mil sacolas ecológicas. Para ajudar o consumidor a enfrentar o fim das sacolas plásticas, a rede oferece ecobags a preço de custo, sacolas biodegradáveis (produzida com base em uma resina especial derivada do milho) e caixas de papelão distribuídas gratuitamente.

Com a meta para o fim das sacolas plásticas estabelecida em diversos países, o Carrefour aplica no exterior taxas-extras por sacola utilizada e em algumas localidades já não as fornece. Entre os países do grupo que já entraram no projeto estão França, Espanha, Bélgica, Itália, Alemanha, China e Polônia. No Brasil, desde março deste ano a rede não disponibiliza as embalagens nas unidades de Piracicaba e Jundiaí. A previsão é de que até janeiro de 2011 o projeto seja estendido para São Vicente. Ao todo, 6,3 milhões de sacolas deixaram de ser distribuídas nas unidades que adotaram o programa.

Políticas de descontos

A rede Walmart começou a vender as ecobags feitas de algodão em 2008 e já registra mais de 2,4 milhões de unidades comercializadas e outras 70 mil distribuídas internamente para os funcionários. A sacola de algodão é a opção mais simples dos modelos vendidos pela rede, custa R$ 2,50 e suporta entre 30 kg e 35 kg. “Tomamos o cuidado para que ela seja básica o suficiente para qualquer consumidor usá-la. Além disso, a sacola retornável de pano tem um custo mais baixo e foi apontada pelos clientes como a melhor alternativa”, diz Julia Noble, gerente-assistente de sustentabilidade da rede.

Outra forma de a rede incentivar os consumidores a não usarem sacolas plásticas foi o lançamento, em 2009, da campanha “Cliente Consciente Merece Desconto”, que devolve aos consumidores três centavos de real por sacola plástica não utilizada. Por meio dessa atitude, o consumo das sacolas tradicionais foi reduzido em 10%, o que representa 138,9 milhões de sacolas. A rede concedeu cerca de R$ 900 mil em descontos para os que aderiram à campanha. “Ações como essa e o uso das ecobags são importantes. Nós temos percebido um aumento na compra e utilização das sacolas retornáveis. Também incentivamos o uso das caixas de papelão que disponibilizamos gratuitamente”, diz Julia.

Assim como o Walmart, outras grandes redes buscam criar alternativas às sacolas plásticas. Entre as ações da rede Pão de Açúcar estão o incentivo ao uso das ecobags, a melhora na resistência de suas sacolas e campanhas de desconto. “A conscientização dos consumidores vem aos poucos, é um processo de amadurecimento”, diz João Edson Gravata, diretor de operações do Pão de Açúcar. “Para estabelecermos uma meta precisamos que o consumidor veja de maneira positiva o fim das sacolas plásticas, mas para isso teremos de fornecer alternativas.”

Em 2009, a rede investiu – com o apoio do Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos (Plastivida) – em sacolas mais resistentes que suportam o peso de 6 kg – as antigas tinham capacidade para 4,5 kg. Além disso, fez uma promoção que beneficia com pontos aqueles que utilizarem as ecobags. A ação já contabilizou mais de 5,5 milhões de pontos desde o seu início e mais de 3.620 milhões de sacolas plásticas deixaram de ser usadas. Em 2010, mais de três milhões de pontos já foram distribuídos e houve uma redução de 1,2 milhões de sacolas.

As ecobags disponibilizadas pelo grupo têm diferentes valores e modelos, que variam de acordo com o público. Nas lojas da bandeira Compre Bem, as sacolas têm o preço de R$ 1,69; nas da bandeira Pão de Açúcar, elas podem chegar até R$ 13,90 no Pão de Açúcar. Quando o assunto é adesão, em 2009 o grupo vendeu mais de 1 milhão de sacolas, sendo 340 mil apenas no Compre Bem. Já em 2010, entre janeiro e setembro mais de 1,2 milhão de unidades já foram vendidas.

Outros segmentos

O mercado das ecobags não é cobiçado somente nos supermercados, mas também em outros segmentos, como no e-commerce e ramo de cosméticos. Diante dessa possibilidade, a loja virtual TiraColo, criada neste ano, aproveitou a onda ecológica para oferecer mais de 29 modelos de sacolas ecológicas aos consumidores. Matheus Cabral de Barros Lemos, administrador, e sua irmã Maria Cabral de Barros Lemos, designer de moda, investiram R$ 35 mil na criação do site e sentem que a procura dos consumidores tem aumentado. “Percebemos que as ecobags possuem finalidades diversas e estavam sendo cada vez mais utilizadas, então havia espaço no mercado”, afirma o administrador.

Com um faturamento que varia entre R$ 8 mil e R$ 12 mil por mês, os empresários trabalham com lojistas de varejo, além de comercializarem seus produtos em revendas, já que não possuem lojas físicas. As ecobags da TiraColo são feitas de náilon para dar mais praticidade ao produto e vendidas por R$ 29,90 (estampadas) e R$ 19,90 (lisas). Hoje, são produzidas oito mil sacolas por mês. “A adesão vem crescendo num ritmo forte. Nos últimos três meses aumentou em média 50% e com isso já pensamos em abrir nossas próprias lojas”, diz Lemos.

A presença cada vez maior das ecobags entre os consumidores fez com que a Natura também oferecesse o produto. Em seus catálogos estão disponíveis dois modelos de sacolas reutilizáveis, sendo que a sacola “carrinho de compras” é o produto mais recente. A nova ecobag é um modelo acoplável aos carrinhos de supermercado, formada por duas sacolas que podem ser usadas juntas ou não. Cada sacola-carrinho suporta até 15 kg, quase quatro vezes mais do que uma sacola de plástico comum e custa R$ 49,60. Todo o lucro é revertido para iniciativas de projetos sociais relacionados à educação.

O mercado no Brasil

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) estima que o Brasil consuma, por ano, cerca de 12 bilhões de sacolas plásticas tradicionais. Para modificar esse quadro, o Instituto Nacional do Plástico (Inp), a Associação Brasileira das Indústrias de Embalagens Flexíveis (Abief) e a Plastivida criaram, em 2007, o programa de Qualidade e Consumo Responsável de Plástico. Com amplitude nacional, houve um incentivo ao uso de ecobags e sacolas mais resistentes. Como resultado para as redes que aderiram, já no primeiro ano houve uma redução de 19,9 bilhões no consumo de sacolas e em 2010 estima-se uma diminuição de 14 bilhões.

Em 2008 foi criada uma certificação pelo Inp concedida aos produtores de sacolas para que eles cumprissem as normas da ABNT e fizessem uma sacola mais resistente. “Nós também incentivamos o uso das ecobags. Mas a adesão depende de uma mudança na cultura e um custo acessível”, diz Paulo Dacolina, presidente do Inp.

Em pesquisa realizada em 2007 pelo Ibope com 600 mulheres das classes B, C e D, residentes na Grande SP, revelou que 75% são a favor do fornecimento de sacolas plásticas. Quando o assunto foi reuso, 100% declararam que usam as sacolas plásticas como saco de lixo. “As ecobags não serão uma tendência em curto prazo, já que a maioria ainda não adotou. Como alternativa vale a pena investir nas sacolas mais resistentes”, diz Dacolina.
ÚltimoSegundo

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