Em entrevista Antonio Imbassahy afirma “Quero ser um dos melhores deputados do Brasil”

“Quero ser um dos melhores deputados do Brasil”. É com esse sentimento que Antonio Imbassahy (PSDB) chega na Câmara Federal em 2011. Ele foi o candidato do PSDB que mais recebeu votos na eleição de 2010. Foram 112.630 em toda Bahia. Neste bate-papo, além da expectativa para o mandato, Imbassahy fala sobre o futuro do tucanato baiano, destaca qual será o papel da bancada do partido na Assembleia Legislativa e faz observações sobre os governos Wagner e João Henrique. Além disso, garante que seu ciclo chegou ao fim no PSDB e que não tem força política e nem vontade para emplacar um sucessor.

Como o PSDB saiu das urnas nesta eleição? Fortalecido ou fragilizado?

Fortalecido, sem dúvida alguma. O PSDB deu uma grande contribuição neste processo eleitoral. O nosso candidato, José Serra, contribuiu para o fortalecimento da democracia no nosso país. Aproximadamente 44% da população brasileira aprovou o nosso projeto, apesar da disputa liderada por um presidente que tem uma aceitação extraordinária. Além disso, conseguimos eleger oito governadores em estados importantes, como São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

E aqui na Bahia, a avaliação também é positiva?

Tivemos um desempenho dentro do que era esperado. Imaginávamos eleger três deputados federais, mas só fizemos dois. Aí lamento bastante a não reeleição de João Almeida, que teve uma votação excepcional, mas foi vítima do sistema político eleitoral brasileiro. E na Assembleia nós pensávamos em emplacar quatro deputados. Fizemos apenas dois. Também não tivemos a sorte da reeleição de Sérgio Passos, um homem íntegro e bem conceituado na região de Jacobina.

E quanto à oposição de uma maneira geral? O “time” do governador Jaques Wagner conseguiu extirpar os adversários, como foi defendido pelo presidente Lula? Não. Creio que nós ajudamos a fazer uma ação de resistência. Fizemos aliança com o Democratas e com o PPS numa convergência com o projeto nacional.  O compromisso eleitoral foi encerrado, mas não acabou os laços que foram construídos ao longo da jornada. Não tenha dúvida de que o PSDB vai fazer oposição aqui na Bahia.

Esse será realmente o papel dos tucanos na Assembleia Legislativa?

Oposição com nitidez e clareza. Vamos abrir demandas e trabalhar com bastante maturidade. Oposição ao governo e, não, a Bahia.

A executiva foi ouvida quando do acordo celebrado entre Adolfo Viana e Augusto Castro pela reeleição de Marcelo Nilo?

Esse é um processo de natureza interna do Legislativo. Não tem nada a ver com a oposição que o PSDB fará ao Poder Executivo. Existe realmente a movimentação e Marcelo Nilo terá o apoio de nossa bancada. Esse é o entendimento que deve ser confirmado no dia da eleição.

O Sr. se sentiu desprestigiado pelo fato do compromisso ter sido viabilizado pelo deputado Jutahy Magalhães?

Não foi bem assim. Conversamos bastante e chegamos a conclusão de que o atual presidente é uma opção melhor do que um nome do PT, por exemplo.

 

Outra coisa: o Sr. citou João Almeida e Sérgio Passos, deputados que não se reelegeram. Verdade que, para não cair no ostracismo, já existe uma disputa entre os dois pelo comando do PSDB na Bahia?

Essa informação não procede. Nenhum dos dois conversou comigo sobre isso. Nem Sérgio e nem João demonstraram interesse em presidir o partido. Creio que isso só será discutido no ano que vem. Meu mandato vai até abril. Então, temos muito tempo pela frente.

Pensa em reeleição? Acha que pode conciliar o mandato na Câmara Federal com a presidência do partido?

 

Olha, pretendo me afastar da direção do PSDB, até para me dedicar mais para o mandato no Congresso Nacional. Serei um deputado aplicado. Vou olhar os interesses nacionais, mas colocar a Bahia em primeiro plano.

Foi uma tarefa árdua à frente da legenda.

Muito complexa, diria. Tínhamos uma posição tomada em 2006 que teve de ser reformatada em função do projeto nacional.

Pretende fazer o sucessor no comando do diretório regional?

Não tenho força para isso. Mesmo se tivesse não o faria. O PSDB é um ambiente de debate, contestação e opiniões divergentes.

Particularmente, como o Sr. tem acompanhado a situação da prefeitura de Salvador? O Sr, que já foi prefeito desta cidade, acredita que João Henrique tem perdido tempo com “politicagem” e deixado a gestão em segundo plano?

Não faço análise da questão pessoal. Mas, observo com muita tristeza o que vem acontecendo com a cidade. Salvador não tem o desempenho funcional que deveria ter. Falta planejamento, ordenação do tráfego de veículos, vemos problemas de infraestrutura e até a má qualidade dos serviços. Só posso desejar sorte e colocar o meu mandato à disposição da nossa cidade.

João Henrique começou a carreira política no PFL, depois migrou para o PDT, em seguida se filiou ao PMDB. Entretanto, sabe-se que ele está à procura de uma nova legenda. O prefeito tem guarida no “ninho” tucano?

Ele não nos procurou e, por isso, não tenho que avaliar essa questão. Vejo na imprensa que ele busca uma alternativa para sair do PMDB, partido que o ajudou bastante tanto na eleição quanto na gestão. No entanto, essa é uma questão que deve ser resolvida pelo prefeito. Só espero que a cidade não seja prejudicada.

Se for convidado, o partido pode ajudar no processo de recuperação da administração local?

Essa hipótese é absolutamente improvável. Creio que isso não acontecerá jamais.

O Sr. vinha de duas derrotas eleitorais (Prefeitura, em 2006, e Senado, em 2008) mesmo assim foi o deputado do PSDB mais votado na Bahia. Esperava o resultado?

Na disputa pelo Senado eu praticamente não tive apoio de ninguém, já que não tinha candidato a presidente e nem ao governo.

Uma campanha avulsa.

Isso mesmo. Mesmo assim, com o apoio de companheiros e amigos consegui mais de um milhão de votos. Em 2008, João Henrique foi reeleito. O povo brasileiro costuma dar uma nova oportunidade ao governante, mesmo que ele não tenha feito uma boa gestão. Agora, em 2010, pela estrutura dos deputados Jutahy e João Almeida a expectativa é de que eu ficasse em terceiro lugar.

Além disso, esse desempenho gerou alguma espécie de ciumeira entre os seus correligionários?

Não, depois de eleito todos são iguais. Não percebi nada disso. Todos me felicitaram. Espero até contar com o apoio de Jutahy lá na Câmara. Quero ser um dos melhores deputados do Brasil.

Um grande desafio.

Não é fácil. Mas, certamente, vou me dedicar bastante e já estou cheio de ideias na cabeça. Estou me preparando, estudando. Já comecei a ler o regimento interno. Parece até que vou fazer um concurso, uma prova de vestibular.

Um Enem?

Não igual a esse aí (risos).

Há uma discussão nacional sobre a fusão do PSDB com outro partido. Como você vê essa movimentação? Essa seria uma alternativa viável para conter o enfraquecimento da legenda?

Olha, o PSDB praticamente manteve o mesmo número de deputados federais. Temos uma bancada forte, a mais importante da oposição. Não vejo necessidade de fusão. Creio que o ideal seria uma reforma política, principalmente porque existe uma quantidade muito grande de partidos.

Legendas de aluguel?

Realmente. Alguns são completamente dispensáveis. Grupos que não se prestam ao serviço público. É preciso uma revisão. Espero que o ambiente nos leve a tomar essa iniciativa e não deixar que a Justiça faça o nosso papel, como vem acontecendo nos últimos tempos. A cada legislatura o Congresso se surpreende com decisões tomadas pelo Supremo.

O Congresso tem sido omisso.

Essa não é a palavra correta. Faltou vontade, determinação.

Por falar nisso, como o Sr. vê a posição do governador Jaques Wagner que defende a reprovação da PEC 300?

Acho que os policiais foram enganados. Havia até o compromisso do vice-presidente eleito Michel Temer, do PMDB. Vou defender melhores salários para os policiais. Se o problema for recurso, tem que fazer uma melhor gestão do dinheiro público. Verba existe, o que falta é gerenciamento e definição de prioridades.

O PSDB terá candidato à prefeitura na próxima eleição?

Antes de falar sobre isso creio que seja importante destacar uma declaração do vice-prefeito Edvaldo Brito, que disse que o problema da cidade era de gestão. Isso é uma coisa muito grave. É preciso verificar o que está por trás disso. Como membro do atual governo, ele deveria esclarecer essa posição. O PSDB pretende ter candidatura própria nas principais cidades da Bahia, inclusive na capital.

Daniel Pinto bocão news

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