Adeus ano velho? Feliz ano novo?…

“Enquanto os homens exercem seus podres poderes

Morrer e matar de fome, de raiva e de sede

São tantas vezes gestos naturais…”  (Caetano Veloso)

Mais um ano vai chegando ao fim e pra não fugir a regra, em algum momento sempre paramos para refletir acerca do ano que se acaba (fazemos a tão famosa retrospectiva) e, sobretudo paramos para reafirmar nossas esperanças e convicções em torno do ano que se aproxima.

Ao pensarmos criteriosamente (o que pouca gente faz devido ao próprio espírito festivo de “só alegria” gerado em torno do Natal e Réveillon), percebemos que não tivemos muitas nem significativas mudanças ao longo dos últimos anos, isso é fato.

Notoriamente percebemos uma sociedade excessivamente consumista, extremamente desigual, na qual a corrupção, a ambição e a sede desenfreada de poder ditam as regras de um jogo imoral e ilegal que nos arrasta cada vez mais pra o lado obscuro e tenebroso que tanto nos assusta e ceifa nossas esperanças em dias realmente melhores.

A busca incessante e exacerbada pelo poder atrai pessoas de índoles duvidosas para os postos mais altos da esfera pública, são governantes que na maioria das vezes legislam em causa própria, enriquecem ilicitamente, dilapidam o erário sem dó nem piedade, agem simplesmente como se estivessem exercendo gestos naturais…

“E o povo, como está?… Está com a corda no pescoço!…”

Continuamos assistindo as mesmas e velhas cenas no nosso cotidiano, pessoas humildes “nas filas, nas vilas, favelas…”, gente de bem na incessante busca da dignidade que lhe foi tirada a ferro e fogo, sem a mínima chance de defesa. Pessoas morrendo “de fome, de raiva ou de sede”, sucumbindo de dor, de horror, de pavor…

A televisão a favor da ignorância exibe uma programação que versa na insensatez, no sensacionalismo e por que não dizer na irracionalidade?

A violência veemente se arraigando de Norte a Sul do país sem que medidas efetivas sejam tomadas, apenas ínfimos paliativos que muitas vezes apenas varrem a sujeira para debaixo do tapete.

Ah, e nossa querida Bahia? “Agora tem, tem, tem…”

Tem transporte público de péssima qualidade, praia suja, ruas maltratadas, turismo em baixa, arrastões, os famigerados engarrafamentos que tanto nos irrita, descaso, abandono, deseducação, “triste Bahia!”…

Nossa retrospectiva não é realmente das melhores, provavelmente não tenhamos tanto o que comemorar até que realmente percebamos mudanças concretas e efetivas em torno de uma sociedade menos descompensada.

Mas, enfim, como já sabemos, é final de ano e pra não contrariar, afinal, ninguém quer ser “a mosca da sopa” ou “os olhos do cego”, vamos então reafirmar nossos votos de esperança em torno de “dias melhores pra sempre!”, essa é o nosso ideal, só não dá pra ficar indiferente diante de tantas discrepâncias, aí não tem santo que agüente! A bem dizer, “Minha pátria é minha língua!”

“Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo

Daqueles que velam pela alegria do mundo

Indo e mais fundo tins e bens e tais…” (Caetano Veloso)

Iolanda Dias

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